sábado, 5 de maio de 2012

DESSE JEITO ATÉ EU!


 (Foto: Estadão)

VEREADORA QUE RECEBEU APENAS UM VOTO É EMPOSSADA NO PIAUÍ
  
Com apenas um voto, o dela mesma, uma professora aposentada de 79 anos tomou posse na Câmara Municipal de Coivaras (a 88 km de Teresina), cidade de pouco mais de 3.800 habitantes.
Constância Melo de Carvalho (PMDB) substituiu Raimunda Costa Santos (PSDB), cassada sob acusação de infidelidade partidária.
Evangélica, ela diz que só assumiu o mandato porque “Deus quis”. “É como diz a palavra de Deus, nos provérbios de Salomão: ‘O homem pode fazer os planos, mas a resposta vem do Senhor’”. Segundo Constância, a performance ruim no pleito se deveu ao fato de ter desistido da campanha para cuidar do filho, que estava doente e morreu meses depois. “O Neto, meu filho, era minha pedra forte. Ele queria que me candidatasse, mas eu não queria. Dizia para meus eleitores que meu nome tinha ficado lá, mas que não era mais candidata.” No dia da votação, Constância diz que resolveu votar em si própria para ajudar o partido.
“Pensei: ‘Sabe de uma coisa? Vou votar em mim. Não vou ser besta’. Se eu votasse em mim, sustentaria o PMDB, o PSB e o PSDB, [partido] do meu prefeito.”
O voto acabou lhe rendendo o posto de suplente da coligação.
Segundo o presidente da Câmara de Coivaras, Carlos Alberto Araújo (PSB), os outros suplentes não puderam assumir o cargo por terem trocado de partido com a proximidade das eleições. Essa é a quarta vez que Constância assume a vaga na Câmara – a primeira foi em 1992, quando teve o segundo maior número de votos.
A posse ocorreu no dia 23 de abril. De lá para cá, só participou de uma reunião, afirma. Entre os projetos, está o de construir uma casa para idosos.
“Vou me comportar como simples vereadora que quer trabalhar pelo povo, mas não foi eleita pelo povo. Ainda assim, o povo é meu povo”, diz, com discurso político afiado. 
(Folha Online)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

TÚNEL DO TEMPO: VOCÊ SE LEMBRA DA CLIP HIT DANCETERIA?

(ilustração)


Deu na "GAZETA MATOENSE - A esperança de um povo". Ano III, nº 05, Matões, 27 de julho de 1986, pg. 02.
 
“AS NOVAS INSTALAÇÕES DA CLIP HIT DANCETERIA

   É com bastante ansiedade que o público jovem de Matões está aguardando a reinauguração das novas instalações da Clip Hit Danceteria, um empreendimento sob a coordenação do jovem Francisco Lima.
   Há vários meses a Clip Hit está com as suas programações interrompidas em virtude do reaparecimento que os seus organizadores estão fazendo no sentido de proporcionar à juventude matoense melhores momentos de lazer, em um ambiente mais adequado às horas de diversão.
   Em conversa recente, Francisco Lima nos afirmou que a sua danceteria virá com muitas novidades, entre as quais destacou: aparelhagem de som importada do Sul do país, jogo de luz totalmente sofisticado, pista de dança de fino quilate, além de um bar que, além da tradicional caipirinha, uma especialidade da casa, tem a oferecer aos seus clientes uísques, vodka e outras das mais finas bebidas, em especial o chopp da Brahma.
   Com respeito à inauguração, o presidente declarou que está fazendo inúmeros esforços para que a CLIP HIT entre em ação no final de agosto próximo, provavelmente no período dos festejos do Divino Espírito Santo, oportunidade esta que incontáveis jovens que estudam em outras cidades se farão presentes em Matões, isto sem mencionar o povaréu que virá à nossa cidade no referido período.
   Francisco Lima fez questão de falar sobre o apoio que vem recebendo por parte das autoridades locais, em destaque para o Prefeito Alcino Pereira e o jovem José Maria, ambos reconhecedores da importância de tal evento recreativo.
   Sobre a organização interna da CLIP HIT, Lima afirma que conta com a colaboração dos jovens Edvaldo Santos Neto, Lino, Manoel Carlos, Antônio Feliciano, J. Maria e Irenildes Santos, pessoas de reconhecido valor na sociedade matoense.”

quinta-feira, 3 de maio de 2012

TRIBUNAL DE JUSTIÇA CONDENA PREFEITO E DETERMINA O SEU IMEDIATO AFASTAMENTO DO CARGO

Câmara do TJ condena e determina afastamento imediato do prefeito de Barra do Corda



Desembargador José Luiz Almeida, relator do processo
03.05.2012

A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão condenou, nesta quinta-feira (3), o prefeito do município de Barra do Corda, Manoel Mariano de Sousa, o Nenzim, a oito anos e três meses de reclusão e o inabilitou a exercer cargo ou função pública pelo prazo de cinco anos. Ainda cabe recurso da decisão tomada por maioria de votos, que também determinou o seu imediato afastamento do cargo de prefeito.

Nenzim foi condenado por crime de responsabilidade dos prefeitos previsto no artigo 1º, inciso I, do Decreto-Lei nº. 201/67, que define como crime “apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou alheio”. De acordo com a ação penal movida pelo Ministério Público estadual – baseada em relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) – o município de Barra do Corda pagou aluguel de casas para dois delegados de polícia e um comandante da PM no município, em administração anterior do prefeito, no ano de 1999.


Os desembargadores Raimundo Nonato de Souza (revisor) e Raimundo Melo, que haviam pedido mais tempo para analisar o processo (pedido de vista), votaram pela condenação, por considerarem que o réu desviou dinheiro público em proveito alheio. “Só o fato de autorizar pagamento de aluguel, importa em recebimento desse pagamento por terceiro. E, dessa conduta, resulta em proveito de terceiro”, disse Raimundo Nonato de Souza, que enfatizou ser de competência do Estado este tipo de despesa.


Em seu voto, o desembargador Raimundo Melo ressaltou que a materialidade do crime atribuído ao acusado restou suficientemente comprovada pelo relatório do Departamento de Controle Externo das Administrações Municipais. Segundo o magistrado, decisão do TCE/MA entendeu pela rejeição das contas da Prefeitura de Barra do Corda, exercício de 1999. Concluiu que cópia dos documentos da prestação de contas referente ao exercício financeiro daquele ano demonstram as despesas irregulares, bem como restou comprovada a autoria por parte de Nenzim.


O prefeito também foi denunciado por pagar R$ 55.200,00 por serviços contábeis e R$ 80 mil para contratação de uma orquestra para festejos carnavalescos, procedimentos considerados feitos sem licitação pelo TCE e apontados pelo Ministério Público.


Em sessão anterior, o desembargador José Luiz Almeida (relator) votou pela absolvição do réu, por considerar que não havia provas suficientes para embasar a condenação de Nenzim. Entendeu não ter havido dolo (quando há intenção de cometer o crime) por parte do prefeito, quando decidiu alugar as casas para os delegados e o comandante de polícia.


Prescrição – A ação penal do MPE também havia denunciado Nenzim por outros possíveis delitos, como falta de processos licitatórios para realização de obras e serviços, aquisição de combustível, merenda e material escolar. O relator José Luiz Almeida julgou esses supostos crimes como prescritos, entendimento com o qual concordaram os desembargadores Raimundo Nonato de Souza e Raimundo Melo, exceto no caso das despesas consideradas irregulares, como a locação de imóveis.


A ação foi julgada parcialmente procedente. Raimundo Souza argumentou que o próprio Nenzim, em interrogatório, disse não se recordar quanto ao pagamento de aluguel. Disse que a permanência do prefeito no cargo representa grave risco ao interesse público, para justificar o seu imediato afastamento. Citou jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A defesa sustentou que, ao efetuar o pagamento da locação, o prefeito se prontificou a custear as despesas no intuito de assegurar segurança pública ao município, pois o Estado não disponibilizou recurso para que houvesse delegado ou comando da PM no município. Refutou todas as demais acusações, alegando ter anexado aos autos documentos que comprovavam a realização das licitações.

Denúncia – Na mesma sessão, a 2ª Câmara Criminal recebeu denúncia do Ministério Público contra a prefeita do município de Olinda Nova do Maranhão, Conceição de Maria Cutrim Campos. Segundo a denúncia, ela não teria encaminhado à Câmara Municipal cópia integral da prestação de contas do exercício financeiro de 2009, mas teria feito declaração falsa sobre o fato na mensagem de prestação encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado.


A defesa da prefeita disse não existir a obrigatoriedade de prestação à Câmara, quando prestada ao TCE, órgão para o qual toda a documentação foi enviada, fato com o qual concordou o desembargador Bernardo Rodrigues. O relator, desembargador Raimundo Nonato de Souza, recebeu a denúncia por considerar que, na atual fase, basta a existência de indícios. O desembargador José Luiz Almeida também votou pelo recebimento da denúncia.


Assessoria de Comunicação do TJ/MA

asscom@tjma.jus.br
(98) 2106-9023 / 9024


quarta-feira, 2 de maio de 2012

NÃO SERIA CASO DE NEPOTISMO?




Lilian Martins, mulher do governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), toma posse como conselheira do TCE
Lilian Martins, mulher do governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), toma posse como conselheira do TCE

A partir de hoje (quarta 2), a mulher do governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), será fiscalizadora dos gastos públicos no Estado. Lilian Martins tomou posse como conselheira do TCE (Tribunal de Contas do Estado). A cerimônia administrativa que marcou o ingresso dela no cargo - vitalício - ocorreu na manhã desta quarta, em Teresina.
Lilian foi eleita na última sexta-feira (27) pela Assembleia Legislativa. Ela passa a ocupar o cargo vago deixado pelo conselheiro Guilherme Xavier de Oliveira Neto, que morreu em acidente aéreo no início de março.
Apesar da posse, o cargo de Lilian está ameaçado. O MP (Ministério Público Estadual) já recorreu à Justiça para contestar a escolha. A Federação Nacional de Entidades dos Servidores dos Tribunais de Contas do Brasil (Fenastc) também anunciou que acionará a Justiça contra o exercício da primeira-dama.
Os tribunais de contas são órgãos de assessoramento das assembleias legislativas dos Estados e têm como missão fiscalizar os gastos e atos do Poder Executivo em âmbito estadual e municipal.
Uma das atribuições do TCE é julgar a prestação de contas do governador. Em caso de reprovação, o gestor pode se tornar inelegível. Também é a partir de fiscalizações dos auditores que nascem ações do MP contra gestores. Ao todo, o TCE possui sete conselheiros.
O promotor da Vara da Fazenda Pública Estadual, Fernando Ferreira dos Santos, informou ao UOL que o MP já ingressou com dois recursos para impedir que Lilian siga no cargo - um deles antes da escolha.

Destituição

“Um recurso está no Tribunal de Justiça para reverter a decisão do presidente [que autorizou a eleição do novo membro do TCE pelo Legislativo, mesmo com as regras questionadas pelo MP], mas também já entramos com uma reclamação no STF, informando que a Assembleia escolheu a mulher do governador e que ela deveria tomar posse hoje. Pedimos a destituição da posse”, afirmou.
Segundo Santos, a Assembleia Legislativa não pode nomear conselheiros do TC. “Num primeiro argumento, não atacamos o nepotismo, mas, sim, o ato de nomeação, pois o processo foi errôneo. O ato de nomeação é do governador, e não da Assembleia, como foi feito.
Os ministros do TCU [Tribunal de Contas da União], mesmo escolhidos pelo Congresso, sempre tem o ato normativo do presidente da República, nunca do legislativo”, disse. O segundo ponto questionado pelo MP é a escolha da mulher do governador, o que seria proibido. “A súmula vinculante 13 do STF veda o nepotismo, e, mesmo no caso de nomeação pelo governador, o nome dela não poderia ser o escolhido.”

"Não prospera"

A Fenatsc também anunciou ingresso de ação na Justiça contra a posse. “A medida que se tem para combater essas distorções são as ações populares, que são julgadas pelo juiz singular [da primeira instância]. E a  Justiça local já deu provas de que é capaz de decidir contra o governador. Estamos confiantes de que essa indicação não prospera”, disse o presidente da entidade, Amauri Perusso, revelando surpresa ao saber que a Lilian Martin havia tomado posse. “Mas já? Quando querem, tudo é rapidinho.”
Perusso cita que caso similar já ocorreu no Paraná, e a Justiça proibiu o exercício do cargo. “Como governador, Roberto Requião indicou o irmão, Maurício Requião, como conselheiro, e ele foi cassado com uma decisão do ministro Ricardo Levandowski [do STF]. A súmula 13 trata da impossibilidade de nomeação de parentes, num combate ao nepotismo. E essa súmula já foi relida para alcançar os conselheiros dos TCs”, afirmou.
Para Perusso, a indicação da mulher é “desrespeito aos brasileiros.” “O princípio da Constituição de 1988 é a valorização da cidadania. E o governador está equivocado nessa indicação. A sociedade não aceita esse tipo de conduta. É o velho coronelismo que ainda impera na política", disse.

Habilitada

Durante sua fala na Assembleia Legislativa, Lilian Martins afirmou que, “como cidadã, servidora com 30 anos de carreira pública e política com orgulho”, teria direito a concorrer ao cargo, sem qualquer impedimento. Ela citou que se considera habilitada para o exercício da função, já que é advogada e ainda tem diploma de enfermeira.
Lilian também disse, durante sua posse nesta quarta-feira, que não vai julgar contas do Estado e declarará suspeição para os casos que envolvam o Executivo enquanto o seu marido estiver no poder.
Para assumir o cargo, Lilian renunciou ao cargo de secretária de Saúde do Piauí e à vaga que tinha como deputada estadual da Assembleia Legislativa. O governador do Estado, Wilson Martins,  não se pronunciou sobre a posse da mulher nem compareceu a nenhum dos atos ou cerimônias de escolha de Lilian.

MATOENSE NÃO FOGE À LUTA

Terça-feira, 1 de maio de 2012

MATOENSE DISPUTARÁ VAGA À CÂMARA MUNICIPAL DE TIMON

Editado por Abdenaldo Rodrigues / com informação do blog de Júlio César.

Dinair Veloso e o pai, sertanejo Enoque Pereira

Mais um matoense na disputa por uma vaga no Legislativo do vizinho município de Timon. Na noite da última sexta-feira (27), aconteceu uma grande reunião política para a apresentação da pré-candidatura de Dinair Veloso(PDT), que é filha de Enoque Pereira da Silva, irmão do ex-prefeito de Matões, Alcino Pereira da Silva, o "Lula" (pai do editor do Blog Gazeta Matoense).

A reunião contou com a presença do Deputado Luciano Leitoa (PSB), do ex-prefeito de Timon, Chico Leitoa, de Reginaldo Janjão, que é pré-candidato a vereador em Matões, e de uma grande militância pedetista, além de vários amigos e vizinhos de Dinair.

No seu discurso, Dinair Veloso falou de sua trajetória desde a zona rural de Matões até a cidade de Timon: "O sonho a gente sempre vence, da forma que conduzimos os nossos pensamentos, pois a luta é grande, mas se torna mas fácil quando temos o apoio de amigos e da própria família."

Dinair Veloso é pós-graduada em Pedagogia, com habilitação em Administração e Supervisão Educacional. Atua como pedagoga pela prefeitura municipal de Teresina; é professora na escola são Benedito em Timon, trabalhando com educação de jovens e adultos. Filiada no PDT desde 2001, vem marchando na luta dos movimentos de mulheres no município.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

ABRE O OLHO, MARANHÃO!

Governadora Roseana Sarrney


Deu na Revista VEJA (Panorama-Holofote), 2 de maio de 2012.

NEGÓCIO EM FAMÍLIA

   Em 2009, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), aprovou a desapropriação de um terreno na cidade de Caxias para a construção de um hospital. Para isso, pagou 3 milhões de reais por um terreno que havia sido adquirido quatro anos antes por 32 000 reais.
   O pagamento já foi feito e a obra não começou. O imóvel não foi passado para o nome do Estado e, agora, está embargado devido a dívidas da ex-dona do local, a Sociedade Educacional Caxiense, comandada pela família Marinho, aliada do clã Sarney.
   A negociação parece ter fortalecido a amizade entre as famílias. Roseana já declarou apoio à candidatura de Paulo Marinho Júnior (PMDB) à prefeitura de Caxias.

domingo, 29 de abril de 2012

O DIA EM QUE MATÕES VIROU POVOADO DE PARNARAMA



Vista panorâmica de Parnarama

   Buscando sempre trazer aos leitores do Blog assuntos que digam respeito à cultura, história e vida política de nossa querida cidade de Matões, trago-lhes hoje uma reportagem que foi publicada no Jornal "CRUZEIRO" (Órgão das Paróquias de Caxias-MA), ano XXII, Domingo, 15 de julho de 1956, nº 902, que noticia sobre o então recém-emancipado município de Parnarama, desmembrado do antigo município de São José dos Matões, bem assim retrata, ainda que sob a tosca visão do líder do movimento separatista, senhor Lauro Barbosa, os motivos que levaram à mudança da sede municipal para as barrancas do rio Parnaíba, momento em que Matões sofreu um duro golpe político, transformando-se, da noite para o dia, da categoria de cidade em simples povoado.
   Ei-la:
 
"Dados históricos da fundação do antigo Município. Organização da planta da nova sede municipal, seus fundadores e cooperadores. Motivos da mudança da sede do município de Matões para o lugar Terra Nova, à margem do rio Parnaíba.
A história do município de Parnarama, desligado hoje do antigo município de Matões, tem sua origem bem remota, entre os anos de 1.800 a 1.805, quando o Governo colonial doou ao senhor Manuel José de Assumpção, um dos pioneiros do desbravamento, aquelas terras, mediante uma Carta de Sesmaria – a Data Atoleiro.
Em 1818, pelo cônego Manoel Antônio Barroso, então vigário de Caxias, foi concedida uma licença ao Sr. Assumpção para construir uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, no sítio São José, de sua propriedade. O referido proprietário doou, então, cerca de 900 (noventas) hectares de terra à padroeira da capela ora fundada, que foi o início do núcleo de moradores, formando o povoado de São José dos Matões, anos depois elevado à categoria de Vila pela Lei Provincial nº 7, de 29 de abril de 1835, suprimida e restaurada depois pela Lei nº 656, de 06 de julho de 1863.
 Motivos da mudança da sede municipal de Matões
O motivo, ou melhor, os motivos que influíram bastante para que fosse pleiteada a mudança da sede do antigo município de São José dos Matões, hoje Matões, para a nova sede Parnarama, à margem esquerda do rio Parnaíba, foram diversos.
Entre os quais, destacamos como mais exigentes – a escassez d’água para serventia pública; depois a distância da sede municipal para a margem do Parnaíba (rio navegável), dificultando o transporte fácil e mais barato, que muito contribuiria para o desenvolvimento de seu comércio, de suas futuras indústrias, fatores especiais que serviram de entrave ao seu progresso, que tem permanecido até hoje estacionário, apesar da antiguidade de sua existência como vila e, depois, cidade, que não tem razão de ser reconhecida, tamanho o seu atraso decepcionante.
Entretanto, a estes justos motivos permaneceram alheios, por muitos tempos, à visão medíocre dos que alhures dirigiram os destinos do Município. E aquela vergonhosa condição de atraso do Município e de sua sede, destituídos de todos os melhoramentos necessários ao bem-estar de uma coletividade de rudimentar civilização, impressionava e magoava os espíritos mais esclarecidos de alguns de seus filhos, quando visitavam Matões.
E o olhavam com justa piedade aquele estado de abandono, não vendo a possibilidade de uma reurbanização da enfezada cidadezinha, ou de uma recuperação demográfica e evolutiva, para aquela velha terra, anos a fio emperrada, a um novo avanço de progresso construtivo para um futuro melhor, que expressasse o amor à terra-berço, e demonstrasse o bom senso de homens de mentalidade mais nobre e idealista que sentissem com mais realidade um amanhã mais animador para os habitantes do antigo Município, com mais de um século de fundação.
E bem se expressou a respeito o sr. Lauro Barbosa, quando da inauguração do Município Parnarama, disse:
<<Senhores, desde os primeiros dias de minha existência sentia o mais profundo desejo de tornar-me uma partícula, sequer, de um todo, capaz de promover o melhoramento de minha terra natal e, para não vos mentir, confesso com tristeza, que muitas vezes mentia, negando ser filho de Matões, tal o descrédito daquela terra de água clara e leve, e gente amiga e boa>>.
E esse sentimento de amor e pena de alguns de seus filhos que viam, com olhos d’alma e dor no coração, a situação de aniquilamento do Município de Matões, e o precário estacionamento de sua sede, fê-los unirem–se num só pensamento de reação, numa só idéia de melhores aspirações, em bem da recuperação de seus valores sociais e econômicos, manifestando assim mentalidade mais nova e progressista.
E o ideal justo e louvável de mudança da sede do Município de Matões para o sítio Terra Nova se ajustou deveras ao bem público de seus habitantes, que entreviam, na nova posição da sede municipal, uma esperança de reabilitação para sua terra humilhada pelo desprezo dos que tinham o dever de elevá-la a melhor conceito perante os outros municípios maranhenses.   
Dando início ao movimento de renovação do Município, surgiram como pioneiros de sua realização – o sr. Lauro Barbosa Ribeiro, que impôs a si a responsabilidade dos árduos trabalhos da locação da futura sede municipal, e o sr. José Torres, que muito contribuiu com a generosa oferta da área do terreno de sua propriedade para edificação da nova cidade; e o Deputado Joel Barbosa que ofereceu a planta de fundação da referida cidade, que tomou o nome de Parnarama, servindo hoje de sede do Município do mesmo nome.
Os primeiros passos para a fundação da cidade de Parnarama
Em 1946, o sr. Lauro Barbosa, animado pelo otimista ideal de levar avante a mudança da sede municipal de Matões, encaminhou ao sr. José Maria Barbosa, então prefeito do Município (nota: irmão de Lauro Barbosa), uma representação assinada por 250 (duzentas e cinqüenta) pessoas adultas e capazes, entre as quais – comerciantes, agricultores e criadores residentes no território de Matões, em que solicitavam a mudança da sede municipal para o lugar Terra Nova.
A representação coletiva constava dos seguintes itens:
<<a) que considerando o afastamento da sede municipal dos principais centros de produção e consumo, bem como outros vários setores habitados, e ainda sua localização em terrenos áridos e arenosos;
b) a sua distância do rio Parnaíba, via de franco transporte, banhando cerca de 80 quilômetros de terrenos férteis do Município;
c) que sendo quase impraticável a ligação de Matões aos portos do referido rio por via carroçável em terrenos muitos acidentados;
d) que as condições econômicas do Município não lhe permitem a construção de rodagens para satisfazer a necessidade do transporte;
e) que a Vila e a Cidade de Matões, na sua vida passada e presente, nunca foi favorecida pelo progresso, tanto que, contando cento e muitos anos de fundação, tem apenas a população de mil e poucos habitantes;
f) que a cidade de Matões tem todos os seus aspectos urbanos deploráveis, pelo irrisório número de casas, justificando-se pela grande dificuldade de materiais para construção;
g) que a devastação das florestas protetoras do principal manancial de aguada pública tem contribuído para sua redução, e conseguinte escassez d’água potável para população;
h) que não tendo o Estado nem a Municipalidade um só prédio onde funcionem as repartições públicas.
Em vista das circunstâncias acima expostas, solicita a V. Excia. sua interferência junto aos poderes públicos competentes, a fim de conseguir a mudança da sede municipal para a margem do rio Parnaíba, visto que o comerciante José Torres Assunção, proprietário de terrenos no lugar Terra Nova, propõe doar ao Município uma área suficiente para a localização da nova sede municipal, conforme carta dirigida ao Sr. Lauro Barbosa Ribeiro, um dos signatários desta Representação.
Matões, 15 de novembro de 1946. Seguem-se duzentas e cinqüenta assinaturas>>.
 Esta representação, encaminhada e demorada em expedientes de natureza burocrática, foi aceita pelos poderes competentes com relativo êxito.
E como bem assinalou um dos oradores no ato solene da inauguração da nova cidade: <Eis que surge agora Parnarama no mundo das cidades brasileiras alegre e fragrante como uma flor do agreste, a receber o orvalho abençoado de realizações futuras mas proveitosas>>.
E desde aquele momento, o rio Parnaíba começou a oscular a face purpurina da Cidade-Menina do Maranhão, que então começou a viver na luta dos seus fundadores e bons cooperadores, tendo como propugnador de suas atividades construtivas – os pioneiros de sua localização ajudados pela força unida e forte dos operários, que foram as alavancas a levantar os primeiros edifícios de Parnarama.
De modo que, com as solenidades cívicas e entusiásticas manifestações de alegria, a 9 de abril de 1949, celebrou-se a inauguração da cidade de Parnarama, na expansão viva dos sentimentos dos que a idealizaram e na satisfação plena dos que viram concretizados os sonhos de filhos amantes do progresso da terra natal.
E deste marco inicial, começou a história da vida de Parnarama, que está sendo construída pelos homens de hoje, para orgulho e exemplo das gerações futuras do amanhã da civilização nacional.
E aos presentes cumpre apenas dizer, como frisou o orador oficial no dia inauguração de Parnarama:
<<Que vários episódios de heroísmo e boa vontade de vencer, envolvem, em emaranhado enredo, admirável origem desta cidade-criança que, sob o influxo de fecundas administrações, receberá a garantia de sua prosperidade futura.
E nos dias difíceis do Brasil de hoje, almejamos que a Providência divina aclare os espíritos atribulados e obscuros, para que reine melhor compreensão entre os homens e paz nos lares e, assim, possamos trabalhar com mais harmonia para felicidade da Pátria estremecida>>."

   Coisas do passado...